Mais uma dose de felicidade, por favor.
Mais uma dose de felicidade, por favor.
O mundo VUCA trouxe a tona a visualização da necessidade de acelerar os processos, tanto na vida profissional quanto na vida profissional. Por conta dessa necessidade de processos rápidos e gestões ágeis queremos que tudo seja resolvido o mais rápido possível e com isso tudo pode ser possível para conseguirmos aplacar nossas vivências e nossas dores. Mas esses processos sentimentais e pessoais precisam realmente ser acelerados? Será que para alguns casos não é melhor seguirmos o tempo corrente e muitas vezes darmos uma lentidão a resolução?
Somos um dos maiores consumidores de ansiolíticos da América latina e a contagem é crescente, afinal cada vez mais cedo se inicia o uso de medicamentos deste porte, muito por conta do crescimento das doenças de ordem psicossocial, mas também por conta de uma vontade da diminuição da dor quase que imediata. Somos a muito tempo consumidores de drogas licitas e não vamos falar sobre as ilícitas, e agora estamos cada vez mais procurando as resoluções imediatistas para os problemas, todos. Se estou triste, tomo um ansiolítico, bebo uma dose de alguma bebida alcoólica, estou com dor, tomo um remédio que me promete melhorar a dor em 5 min, estou com gases, tomo um remédio para eliminar os gases em 3 min, estou gorda, uso caneta emagrecedora ou faço uma dieta em que somente comerei alface por 1 mês. Sim, alguns desses pontos já existem em nossa sociedade a muito tempo, mas com a evolução da medicina estamos cada vez mais nos 'embriagando' em drogas, licitas ou ilícitas e buscando a resolução dos nossos problemas cada vez mais rápido.
Antigamente, para emagrecer comíamos menos e como não tínhamos tantos equipamentos eletrônicos, andávamos para conseguir o que queríamos, e então chegou a descoberta das medicações que nos faziam perder líquidos, que aliados as dietas faziam o mesmo efeito que ter que caminhar até o mercado ou a padaria diariamente, coisa que hoje a maioria faz motorizado, e com a evolução chegamos as cirurgias bariátricas com a proposta de nos fazer diminuir a área de acúmulo de alimento e também nos fazer ter o sentimento de satisfação alimentar, facilmente burlado por pessoas que realmente tinham problemas alimentares, mas fazendo com que pessoas que não tinham o perfil para este tratamento fizessem processos horrorosos de engorda para poderem efetuar este tipo de tratamento, e chegamos então as canetas emagrecedoras, que era um tratamento para diabetes e que analisado por um grupo de pessoas viciadas em emagrecer, ascenderam a luz para o uso também para fins de emagrecimento e agora está começando um modismo que pode estar fazendo mal a saúde publica, uma vez que o uso indiscriminado e cada vez mais o tráfico tem acontecido, muito por uma divulgação midiática e não esclarecedora dos benefícios, mas também dos malefícios.
E mesmo visando a saúde do bem, como as pessoas que se exercitam, estão sendo colocadas dentro do foco do uso de alimentos e complementos alimentares, que se a pessoa tiver uma alimentação saldável não é tão necessário. Precisamos de proteína? Sim, mas tendo uma alimentação correta com todos os elementos não existe a necessidade de complementação, e ainda tem quem quer ganhar músculos rapidamente e usam anabolizantes e colocam sua saúde em risco. Melhor dizendo, em todos os casos acima as pessoas colocam a saúde em jogo.
E agora vamos falar da saúde do profissional, que também tem passado por um processo de aceleração do processo de não ter dor no trabalho que culmina muitas vezes em absenteísmo alto, demissões, não aceitação dos processos das empresas e tudo isso para não ter que sofrer a dor de se adequar a vida profissional que estamos vivendo, não querer aceitar as propostas salariais e de benefícios ao invés de colocar no momento de entrevista ou mesmo durante sua vida laboral na empresa o que os insatisfaz. A dificuldade de expressar suas inseguranças e suas decepções profissionais, que sempre existiram, mas que hoje tem tido um aumento cada vez maior, e muitas vezes o profissional somente finge que trabalha, o chefe, não líder, finge que aceita e na primeira oportunidade demite este profissional sem querer saber o porque da posição que ele tomou, muito por realmente não se interessar aos sentimentos do profissional, ver o profissional somente como mais um, ou mais um numero, mas também de uma falta de tempo para que ele possa se inteirar deste profissional, entender esse profissional como pessoa, com suas qualidades e imperfeições, pois tempo é dinheiro e as metas tem cada vez menos tempo para serem batidas.
Como dizia Renato Russo, "Vivemos um mundo doente", mas nós somos a cura e somente nós podemos nos curar. Tempo é dinheiro, mas sem colaborador você não terá tempo para fazer dinheiro, precisamos ser magros, musculosos e lindos, mas podemos seguir a rotina correta de alimentação e exercícios e termos um resultado melhor, e com mais qualidade, podemos sentir dor, no corpo e na alma e para as dores não suportáveis propor tratamentos menos invasivos para o corpo e terapias para a alma.
Nem sempre o imediatismo é a solução para as dores e ter felicidade urgente e irrestrita pode ter uma preço alto a ser pago.
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Elaine Ferreira
Administradora, Consultora de RH, Gestão de Pessoas, MBA em educação para jovens e adultos, MBA em ESG, COACH de trabalho e MENTORA de trabalho.
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