31 A verdade da mídias e a diversidade e inclusão


     Ontem terminou as paraolimpíadas de Paris 2024, um super exemplo de atletas dedicados 100% a serem os melhores em sua categoria. Ops! Eles não podem ter 100% de dedicação porque muitos deles se não derem um jeito para se auto sustentarem não tem como pagar, todos os treinamentos, alimentação, profissionais e ainda os tratamentos que alguns deles precisam fazer para melhorarem suas vidas. 

    Sim. Alguns deles tem patrocínio, mas muitos não, e precisam da promoção dada pelas mídias para mostrar seus trabalhos e sua dedicação ao esporte. Mas isso não foi feito a contento. Nas paraolimpíadas do Japão a mídia deu muito mais visibilidade do que nessas paraolimpíadas. 

    Sou apaixonada por esportes, e sou apaixonada por pessoas, e procurei, avidamente desde o final das olimpíadas as informações das paraolimpíadas, e encontrava as informações mas não onde elas iriam ser mostradas. No dia da abertura tivemos algumas ínfimas informações que seria passado um compacto com os melhores momentos na grande empresa de televisão e que o canal fechado de esportes desta empresa iria passar as competições ao vivo. 

    Eu, pela bondade de Deus, tenho como pagar uma TV a cabo, mas isso não é a realidade da grande maioria da população brasileira, e essa é a ponta do iceberg das injustiças de uma empresa que diz ser diversa e igualitária, mas não foi isso que foi feito. 

    Diariamente eu procurava nos canais fechados a programação das competições ao vivo e via, o replay das competições das olimpíadas em quase todos os canais o dia todo, ou então jogos de futebol, campeonatos de surf antigos, replay de jogos de futebol e enquanto não saiu a primeira medalha, foi assim que os atletas foram mostrados. Só que para a tristeza desta empresa enorme de comunicação os atletas Brasileiros como sempre brilharam, foram incríveis, trouxeram medalhas em esportes que nunca tínhamos ganho, brilhamos tanto com nossa alegria e felicidade de representar nosso país quanto como atletas. 

    E aí eu pergunto, porque não foi dada a mesma divulgação? Porque eles não podem ter entradas ao vivo como era feito com os atletas olímpicos, que vou ser sincera, para mim, não brilharam tanto. Porque não dar a mesma visibilidade? E o mais legal, porque tão poucos repórteres com algum tipo de diferença? Porque não mostrar toda a beleza desses atletas que são incríveis. Todos são, mas alguns são especiais. Fomos tão incríveis que o Gabrielzinho foi citado pelo ministro dos esportes no discurso da cerimônia de encerramento. 

    E agora para lembrar uma coisa básica, nossa constituição não vê distinção entre brasileiros, quem faz a distinção somos nós que deixamos uma empresa de televisão fazer esse tipo de exclusão sem reclamar, quem faz a distinção somos nós que quando vemos alguma pessoa que não é igual a nós não acolhemos e sim distanciamos. Perante a nossa legislação eles são iguais e merecem o mesmo respeito, os mesmos salários, os mesmos patrocínios e terem as mesmas oportunidades. O dinheiro dos impostos deles não é diferente do dinheiro de ninguém, e se o mundo é de quem paga mais, pense que  eles podem trazer tantas divisas quanto qualquer um. 

    Se você tem uma empresa, contrate pessoas, e não sexos, deficiências, idades ou cores de pele. Contrate eficiência, contrate. 


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Elaine Ferreira 

Administradora, Consultora de RH, Gestão de Pessoas, MBA em educação para jovens e adultos, MBA em ESG.

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